sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Contradições (não pensamos num título melhor...)...

Faz já algum tempo que nada é postado neste blog. Nossas desculpas antes era a correria da faculdade, mas acho que agora é a preguiça das férias mesmo... bom, sei lá... mais uma vez eu estou aqui enchendo a paciência de vocês...é eu sei, eu sou chato pra caramba...a Priscila (P.G.) me diz isso todos os dias...

Hoje eu gostaria de compartilhar algo com vocês que está na minha cabeça... Acho que o texto não está muito bom, mas esperamos que vocês peguem a “essência” da coisa...

A partir da dialética Hegeliana, Marx elabora um “esquema” (desculpem... não achei palavra melhor...) dialético com base na contradição. Ele faz uma análise muito interessante da sociedade, mostrando que as coisas não são exatamente aquilo que apresentam. Um exemplo conhecido de todos nós é a análise sobre a mercadoria, que se apresenta como algo de utilidade humana, feita para satisfazer as necessidades das pessoas, mas que na verdade oculta uma face bem diferente, controladora e provocadora das necessidades, que age na vida das pessoas de acordo com sua própria vontade.

Mas é claro, pra chegar a encontrar a contradição por trás daquilo que é apresentado é necessário fazer uma análise minuciosa do objeto, o que exige pensar bastante... coisa que não é muito interessante pra essa sociedade moderna, que prefere pensar sobre o apresentado imediatamente...

O Iluminismo praticamente descarta a questão da contradição. Com base nos pensamentos de Descartes e Locke, a objetividade e onipotência do pensamento são colocadas como a “fórmula” principal da investigação científica. Não há espaço para a contradição; o objeto só pode ser investigado a partir daquilo que aparenta ser ou a partir da questão proposta. Os objetos são investigados em sua utilidade para o homem. A natureza, por sua vez, tem como finalidade servir ao homem. O conhecimento da natureza é necessário para aplicá-lo depois em forma de dominação, ou seja, a natureza só pode ser objeto de investigação para que depois ela possa ser de utilidade ao homem. Mas aí vemos uma contradição muito interessante. O homem, dominador da natureza, também é natureza. O ser - humano abraçou tão grandemente a idéia de que é senhor do mundo, que tudo foi criado para servi-lo, que se esqueceu que também faz parte deste grande organismo. As conseqüências desse tipo de pensamento nós podemos observar em nossos dias: cada dia mais sofremos com as mudanças climáticas do planeta, com o desaparecimento cada vez maior da fauna e o aumento de espécies ameaçadas de extinção.

Podemos dizer que o Iluminismo é o antecedente filosófico para o positivismo. Segundo essa corrente, o progresso só chegará à humanidade quando ela abandonar todos os tipos de pensamentos anteriores e deixar que a ciência a conduza para um estágio mais avançado, de paz, ordem e riqueza. Bom, até essa questão do progresso é algo para se entender melhor. Pensar em progresso nos faz imaginar em avanço. Avanço hoje é sinônimo de melhorar economicamente e, portanto aumentar o poder de compra, levando a um consumo maior. Conclusão: para o capitalismo, progredir é comprar mais. Talvez seja por isso que essa noção de progresso seja tão propagada e mantida em nossos dias...

Para o Positivismo, é necessário deixar que a razão domine; que o objeto seja investigado enquanto útil para o progresso, que o investigador não se identifique com o objeto. E encontramos aí mais uma contradição: se a ciência conduz a paz, porque então ocorreram grandes guerras que se utilizaram (e ainda utilizam...) de todas as maiores inovações científicas da época? Por que então ainda temos milhares que morrem de fome, doenças e outras coisas? Uma grande contradição: em pleno século XXI, de computadores ultramodernos e de descobertas espaciais impressionantes, ainda existem pessoas que vivem sem água e sem comida em suas casas...

A Ideologia burguesa se apodera desse pensamento objetivo. As coisas são ou não são; não há espaço para um meio-termo, para a não-escolha. A “liberdade” é administrada: são dadas as opções a, b, c e d – escolha uma delas (acredite... antes de você escolher, já sabem qual você vai escolher...), mas você não pode escolher a opção f, por exemplo. Adorno (ah...Adorno Magno!) diz que a preferência atual pela música popular em lugar da música erudita, provém do fato de que na primeira a audição é imediata, rápida e objetiva, características presentes no pensamento burguês moderno (o cara é gênio!... conseguiu ver a ideologia burguesa e suas contradições até dentro das harmonias e formas musicais modernas!). A técnica, por ser mais objetiva, prática e concreta, se torna mais valorizada do que o pensamento abstrato. Podemos observar isso nas áreas de atuação profissional de hoje. O número de tecnólogos, administradores e outras profissões são muito superiores aos de filósofos ou sociólogos, por exemplo. As pessoas nos perguntam ao saberem que fazemos Psicologia: “mas você tem que ler muito? Eu gostaria de fazer um curso que não precisasse ler tanto sabe...”. Não é raro ver comerciais de instituições em que o aluno “aprende na prática”...

Uma das características ideológicas do pensamento científico é a divisão de áreas, ou seja, a criação de especialidades. Por um lado, seguir uma especialidade em vez da área por inteiro é ótimo, pois permite a investigação mais intensamente em um determinado fenômeno. Mas como o pensamento moderno é objetivo, o individuo que se especializa não tem espaço para sequer procurar entender as outras partes de sua própria área. Um médico cardiologista em geral não vai querer entender melhor sobre neurologia, por exemplo.

As pessoas, infectadas por este tipo de pensamento desde crianças, mesmo sem perceberem, se tornaram objetivas também. Objetividade. Ou é ou não é. Você não pode gostar de Rock e de Samba. Você não pode gostar de usar preto e ser uma pessoa extrovertida e alegre. Não pode ser e não ser ao mesmo tempo. Mais uma contradição: a Ideologia prega uma coisa que nem ela mesma é. A contradição está presente dentro da Ideologia, como uma pulsão presente no Id que, para garantir que ela continue pressa lá, o Ego se utilize de formações reativas (Psicanálise...tendeu?)...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

muito estranho...(vídeo)

Charlie Parker dizia que a música fala mais do que palavras - e ele tem toda a razão. Mas a ajuda de um vídeo para completar o discurso é sempre bem vindo...


Bom, sem levar em conta que ela errou todas as perguntas, eu queria saber como alguém que estuda Turismo não sabe aonde fica as ilhas Galápagos...muito estranho, não?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

muito estranho...

Estranho? É, a vida é estranha. Num momento somos os explorados, peças utilizadas pelo sistema, que podem ser descartadas e trocadas a qualquer momento. No outro, estamos no topo (seja lá o que for esse topo capitalista...), somos os vencedores (ah, doce ilusão!), mas negamos que um dia estivemos em baixo. Alguns argumentam que jamais se esqueceram de suas origens, mas em compensação não fazem nada para mudar a situação de quem ficou para trás. E o mais estranho é o fato de que aqueles que acreditam que fazem algo muitas vezes estão simplesmente contribuindo para a manutenção e reprodução do que já existe. A ideologia dominante é tão estranha que faz com que os que acham que estão mudando ou melhorando a realidade (por que não nos incluirmos nesta categoria também? Afinal a vida é estranha...) na verdade estão apenas contribuindo para a continuação das relações existentes. Mas querem ver algo de mais estranho? Não sou o primeiro a mostrar essa contradição, obviamente. Essa visão de realidade já foi enxergada há séculos, mas mesmo assim "ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais".
Algo estranho ocorreu nos últimos dias, algo que foi acompanhado por toda a coletividade brasileira: a história de uma jovem, vítima de comentários sobre sua pessoa, dentro de uma instituição de ensino. Não preciso contar a história toda, afinal vocês já conhecem. A indignação provocada nas pessoas após este episódio foi grande: como uma coisa dessas ainda pode acontecer em nossos dias de tamanha "liberdade" e "conscientização"?
É óbvio que a atitude tomada pelos alunos foi totalmente irracional e errônea. Afinal, eles estavam lá para estudarem ou para procurar confusão? E a Universidade? Preferiu expulsar a aluna para não prejudicar sua imagem, mas só piorou a situação (será que ninguém pensou nas consequências da opinião pública sobre essa decisão? Bom, se ninguém pensou nisso, então estamos diante de uma instituição sem pensadores...estranho não?); a readmissão dela poderia ter sido evitada se ela nem tivesse sido expulsa.
Mas, alguém pode argumentar: mais uma vez você só está dizendo o que já foi dito! Bom, primeiramente agradeço pela paciência por lerem até aqui, mas agora falarei sobre o que está em minha "mente".
Num dia, ela era a estudante injustiçada, agredida sem motivo algum. No outro, ela era uma celebridade. Aliás, esse é um dom do capitalismo das noticias: pegue um fato, aumente a história, coloque com a opinião de "especialistas" (especialistas de que, pra que e de quem?) e pronto! É só vender, consumir e exibir - mas isso é assunto pra outro momento.
Não quero dizer em momento algum se ela estava certa ou errada, ao entrar na instituição com aquela vestimenta; tenho a minha opinião quanto a isso, mas no momento não vem ao caso. Quero chamar a atenção para o fato de que no primeiro momento, ela foi aclamada como um símbolo (efêmero, com certeza, mas ainda um símbolo...) das pessoas que ainda sofrem com o preconceito em qualquer lugar, seja no trabalho, na escola, sei lá aonde; um símbolo de pessoas que contestam valores ou "status" sociais, mesmo que essa não tenha sido sua intenção.
O que me chama a atenção foi o que veio a seguir. Não tenho certeza, mas acho que ela apareceu em quase todas as redes de televisão do país. E não era pra levar a causa dos injustiçados adiante. Virou celebridade. Por mais que seu discruso fosse em apoio aos que ainda sofrem de preconceito, seus motivos de aparecerem na TV eram outros. Assisti ela em um desses programas, e achei muito interessante a fala dela. Deu pra notar na prática o que Marx já escrevia em A Ideologia Alemã, sobre aqueles que quando estão por baixo, lutam por seus companheiros de classe, mas ao ascenderem querem é fazer parte da classe dominante...e que os outros que se virem...Hoje, ao abrir a Internet, vi uma noticia de que ela gravou mais um programa de TV, e dessa vez é um de humor. O que tem a ver esse programa com a história dela (que, aliás, praticamente já teve um desfecho...mas como ainda dá lucro, continua sendo vendida) é uma incógnita. Estranho, não?
Quero dizer aqui que não é a pessoa dela que está sendo atacada. Eu nem a conheço, não posso fazer algum tipo de juízo sobre ela. O que eu considero estranho, talvez nem consiga expressar. A sociedade se moveu por esta causa. Por que não se mobiliza por outras também? O sistema permite que algumas revoltas aconteçam, para que aquelas que realmente deveriam acontecer nem se quer são concebidas. E a ideologia capitalista, o que tem a dizer? As oportunidades só acontecem uma vez na vida, então agarre-a o máximo possível e tente conseguir lucro com momentos ruins. Os demais? Ah, mano, aqui é cada um por si rapaz. Afinal, o sucesso só depende de você.
Estranho, não?

¿Por qué no te callas? - by Vini

Essa é a primeira vez que escrevo algo em blog. Não tenho muita experiência nisso e portanto espero a compreensão por parte de todos, inclusive meus companheiros blogueiros que com certeza são mais competentes do que eu para isso. Com paciência e tentativas sei que aos poucos talvez eu possa melhorar...
A nossa idéia ao criar este blog é simples: expor nossas idéias, não deixar mais que elas simplesmente "apareçam" em nossas cabeças e depois permitir que elas "desapareçam". Colocaremos aqui as nossas críticas, idéias e contestações. Talvez seja marxista demais (aliás provavelmente Marx será citado mais vezes aqui) mas procuraremos mostrar as contradições existentes entre a realidade imposta e a verdade oculta, entre aquilo que nos fizeram ser e o que realmente é ou devia ser, mas sem jamais perder o bom humor, com ironia, sarcasmos e uma boa dose do Espírito Juvenil (citando Nirvana : "Smells Like Teen Spirit" - uma das minhas músicas favoritas, sem dúvida alguma) afinal, parafraseando um professor nosso (que aliás tem um monte de frases legais): "Todo jovem que se preze um dia foi revolucionário".
Nada de exageros: tomemos cuidado com o extremismo; muitos preconceitos começam com uma boa idéia ou causa. Sempre mantendo a humildade e reconhecendo quando estivermos errados, desde que provem que estamos errados.
É isso...pelo menos por enquanto...

sábado, 14 de novembro de 2009

¿Por qué no te callas?


¿Por qué no te callas? (em português Por que não te calas?) foi uma frase dita pelo rei Juan Carlos de Espanha ao presidente venezuelano Hugo Chávez durante a XVII Conferência Ibero-Americana, realizada na cidade de Santiago do Chile, no final de 2007.
O motivo da "exaltação" do
rei espanhol foram as constantes interrupções do presidente Hugo Chávez na resposta do primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero.
Enquanto Chávez criticava José María Aznar, o rei espanhol se irritou, dizendo a frase "¿Por qué no te callas?" a Chávez.

Usando esta frase de enorme repercussão PROMOVEREMOS O MOVIMENTO DO ETERNO RETORNO DE "¿Por qué no te callas?" postando aqui neste humilde blog-ou melhor dizendo cafofo de resitência(by vini)- comentários sobre todo caso que nos cause indignação, comédia, desprezo e ainda vontade de resistir...isso mesmo resistir...reagir... à toda manifestação verbal ou não, que seja preconceituosa, sem fundamento e claro, tosca...

Então junte-se a nós no movimento: porque... "Ab-Reação" faz bem a saúde, porque pode ser divertido e além disso alguns atos "pedem" por um "¿Por qué no te callas?" você não acha?!(rs).