Faz já algum tempo que nada é postado neste blog. Nossas desculpas antes era a correria da faculdade, mas acho que agora é a preguiça das férias mesmo... bom, sei lá... mais uma vez eu estou aqui enchendo a paciência de vocês...é eu sei, eu sou chato pra caramba...a Priscila (P.G.) me diz isso todos os dias...
Hoje eu gostaria de compartilhar algo com vocês que está na minha cabeça... Acho que o texto não está muito bom, mas esperamos que vocês peguem a “essência” da coisa...
A partir da dialética Hegeliana, Marx elabora um “esquema” (desculpem... não achei palavra melhor...) dialético com base na contradição. Ele faz uma análise muito interessante da sociedade, mostrando que as coisas não são exatamente aquilo que apresentam. Um exemplo conhecido de todos nós é a análise sobre a mercadoria, que se apresenta como algo de utilidade humana, feita para satisfazer as necessidades das pessoas, mas que na verdade oculta uma face bem diferente, controladora e provocadora das necessidades, que age na vida das pessoas de acordo com sua própria vontade.
Mas é claro, pra chegar a encontrar a contradição por trás daquilo que é apresentado é necessário fazer uma análise minuciosa do objeto, o que exige pensar bastante... coisa que não é muito interessante pra essa sociedade moderna, que prefere pensar sobre o apresentado imediatamente...
O Iluminismo praticamente descarta a questão da contradição. Com base nos pensamentos de Descartes e Locke, a objetividade e onipotência do pensamento são colocadas como a “fórmula” principal da investigação científica. Não há espaço para a contradição; o objeto só pode ser investigado a partir daquilo que aparenta ser ou a partir da questão proposta. Os objetos são investigados em sua utilidade para o homem. A natureza, por sua vez, tem como finalidade servir ao homem. O conhecimento da natureza é necessário para aplicá-lo depois em forma de dominação, ou seja, a natureza só pode ser objeto de investigação para que depois ela possa ser de utilidade ao homem. Mas aí vemos uma contradição muito interessante. O homem, dominador da natureza, também é natureza. O ser - humano abraçou tão grandemente a idéia de que é senhor do mundo, que tudo foi criado para servi-lo, que se esqueceu que também faz parte deste grande organismo. As conseqüências desse tipo de pensamento nós podemos observar em nossos dias: cada dia mais sofremos com as mudanças climáticas do planeta, com o desaparecimento cada vez maior da fauna e o aumento de espécies ameaçadas de extinção.
Podemos dizer que o Iluminismo é o antecedente filosófico para o positivismo. Segundo essa corrente, o progresso só chegará à humanidade quando ela abandonar todos os tipos de pensamentos anteriores e deixar que a ciência a conduza para um estágio mais avançado, de paz, ordem e riqueza. Bom, até essa questão do progresso é algo para se entender melhor. Pensar em progresso nos faz imaginar em avanço. Avanço hoje é sinônimo de melhorar economicamente e, portanto aumentar o poder de compra, levando a um consumo maior. Conclusão: para o capitalismo, progredir é comprar mais. Talvez seja por isso que essa noção de progresso seja tão propagada e mantida em nossos dias...
Para o Positivismo, é necessário deixar que a razão domine; que o objeto seja investigado enquanto útil para o progresso, que o investigador não se identifique com o objeto. E encontramos aí mais uma contradição: se a ciência conduz a paz, porque então ocorreram grandes guerras que se utilizaram (e ainda utilizam...) de todas as maiores inovações científicas da época? Por que então ainda temos milhares que morrem de fome, doenças e outras coisas? Uma grande contradição: em pleno século XXI, de computadores ultramodernos e de descobertas espaciais impressionantes, ainda existem pessoas que vivem sem água e sem comida em suas casas...
A Ideologia burguesa se apodera desse pensamento objetivo. As coisas são ou não são; não há espaço para um meio-termo, para a não-escolha. A “liberdade” é administrada: são dadas as opções a, b, c e d – escolha uma delas (acredite... antes de você escolher, já sabem qual você vai escolher...), mas você não pode escolher a opção f, por exemplo. Adorno (ah...Adorno Magno!) diz que a preferência atual pela música popular em lugar da música erudita, provém do fato de que na primeira a audição é imediata, rápida e objetiva, características presentes no pensamento burguês moderno (o cara é gênio!... conseguiu ver a ideologia burguesa e suas contradições até dentro das harmonias e formas musicais modernas!). A técnica, por ser mais objetiva, prática e concreta, se torna mais valorizada do que o pensamento abstrato. Podemos observar isso nas áreas de atuação profissional de hoje. O número de tecnólogos, administradores e outras profissões são muito superiores aos de filósofos ou sociólogos, por exemplo. As pessoas nos perguntam ao saberem que fazemos Psicologia: “mas você tem que ler muito? Eu gostaria de fazer um curso que não precisasse ler tanto sabe...”. Não é raro ver comerciais de instituições em que o aluno “aprende na prática”...
Uma das características ideológicas do pensamento científico é a divisão de áreas, ou seja, a criação de especialidades. Por um lado, seguir uma especialidade em vez da área por inteiro é ótimo, pois permite a investigação mais intensamente em um determinado fenômeno. Mas como o pensamento moderno é objetivo, o individuo que se especializa não tem espaço para sequer procurar entender as outras partes de sua própria área. Um médico cardiologista em geral não vai querer entender melhor sobre neurologia, por exemplo.
As pessoas, infectadas por este tipo de pensamento desde crianças, mesmo sem perceberem, se tornaram objetivas também. Objetividade. Ou é ou não é. Você não pode gostar de Rock e de Samba. Você não pode gostar de usar preto e ser uma pessoa extrovertida e alegre. Não pode ser e não ser ao mesmo tempo. Mais uma contradição: a Ideologia prega uma coisa que nem ela mesma é. A contradição está presente dentro da Ideologia, como uma pulsão presente no Id que, para garantir que ela continue pressa lá, o Ego se utilize de formações reativas (Psicanálise...tendeu?)...
